segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Há dias...

Lindinho,

Tive um sonho nonsense na noite passada. Tinha ido ao medico num hospital enorme, com milhões de andares e um vão enorme no meio, todo prateado, verde e bege. E quando eu olhava de cima mal via o chão, apenas os andares um em baixo do outro. Estava na sala do medico com a minha mãe e o cara vira para mim e diz que eu estou para morrer e que não há nada que ele possa fazer, mas que ele poderia retirar alguns órgãos de mim e que isso me daria mais alguns dias de vida, como se fosse obvio deixo ele retirar o que bem entender. Na cena seguinte eu estou com a barriga costurada de cima a baixo saindo, andando, do hospital. Então eu vou ver as pessoas, minha família, amigos etc. E eu continuo fazendo as coisas, sabendo da morte eminente, mas como se não faltasse nada em mim. O estranho é que eu tinha a consciência da minha morte e que ela estava próxima, e as pessoas também, mas parecia ter aceitado isso da melhor maneira possível. Quando eu acordei eu ainda não tinha morrido no sonho... Achei tão estranho que acabei pensando nisso ontem o dia inteiro, sei que não tem nada a ver com o e-mail, mas eu queria te contar.

Estou enrolando para te escrever este e-mail há dias, achei que devia esperar mais um encontro nosso ou algo assim, mas acho que fica a cada dia mais complicado. Te prometi que não sumiria simplesmente, por isso decidi ser fofa e te mandar um e-mail com direito a trecho de música,
sonho e tudo mais...

Pensei muito em vc nestas últimas semanas, na verdade não especificamente em vc, pensei em nós, em tudo o que tinha rolado nestes meses, que foram vários, mas que parecem ter passado voando. Pensei no nosso percurso, em como as coisas mudaram e ao mesmo tempo continuam cheias daquele entusiasmo de algo que acaba de começar, enfim, de como foi bom ter vivido isso com você.

Tenho a sensação que terminamos um ciclo, de três trabalhos consecutivas, de uma convivência assídua e entramos agora numa espécie de "brecha". E esta brecha aparece para mim como a melhor oportunidade de parar...

Primeiro por que não acho que conseguiria continuar com isso dessa maneira leve como fomos até agora (te liguei outro dia às 9 da noite e fiquei chocada comigo mesma).

Segundo por que outro dia me peguei pensando na sua mulher, fiquei imaginando como ela lida com tudo isso e me senti mal.

Terceiro por que acho que estou quase te querendo para mim e estou certa de que isso não faz o menor sentido. Sabe aquela música do Chico "Já conheço os passos dessa estrada / Sei que não vai dar em nada / Seus segredos sei de cor / Já conheço as pedras do caminho / E sei também que ali sozinho / Eu vou ficar, tanto pior", é algo assim (claro que potencializado pela minha dramaticidade nata).

Então pensei que fazer isso é como parar algo na melhor hora e ficar com isso na memória da melhor maneira possível.

Consegui finalmente gravar aquele CD que te prometo há meses, que tem a melhor versão de Retrato em Branco e Preto de todos os tempos, poderíamos fazer uma troca "injusta", vc me da o CD com as imagens que eu deixei no seu computador e eu te dou ele (junto com os outros CD's seus que estão comigo).

O que vc acha?

Beijos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Invasor,

Subi hoje as escadas para o escritório e de repente você me invadiu a cabeça, acho que, no final das contas, a única "ressaca" que tive foi dos setecentos e não sei quantos degraus... mas gostei de pensar em você.

Queria te agradecer o hospedagem e a companhia, achei bem bonita a estória toda - vadiagem, porres, papos intermináveis, silêncios, almoços, jantares, sexo, carinho, dormir de colher e etc.

Decidi te dar um presente, mas até agora não tinha conseguido pensar em algo que tivesse a ver com tudo isso. Então hoje, com aquela fome típica das quatro da tarde decidi te mandar uma receita, pensei em mandar os respectivos ingredientes, porque isso seria muito bonitinho, mas acho que a experiência seria no mínimo desagradável, quem sabe, se um dia eu mudar para POA, eu completo a idéia.

Mando também a trilha sonora:

- o cd do Chet (let's get lost) que eu amo de paixão;
- a Nina, por que é um absurdo vc não ter isso em casa;
- o Gotan Project, que é ótimo.

Molho ao Sugo

8 tomates pelados e sem semente (se vc ficar com preguiça compra duas latas de tomates pelados, que também fica ótimo)
1 cebola média
3 dentes de alho
caldo de carne (pode ser um cubinho)
um pedaço pequeno de canela em pau
uma pitada de noz moscada
1 ou 2 folhas de hortelã (pode ser uma pitada da hortelã seca)
uma pitada de açúcar
manjericão
sal

Refogar a cebola em azeite e uma colher de manteiga, jogar o alho depois que a cebola estiver transparente. Colocar o molho de tomate, e todos os temperos com exceção do manjericão e do sal. Deixar no fogo baixo cerca de uma hora. Colocar o sal e o manjericão, desligar o fogo e fechar a panela por cinco minutos.

um beijo,

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

aos desafinados amores

menino vadio,

tenho pensado horrores na gente e sentido uma tristeza que realmente não faz parte do meu jeito de ser...

lembro que em nossas primeiras conversas você foi bem claro em relação a expectativas e desdobramentos do que o que nem tinha começado poderia ser.

na época me lembrei de uma música do tim maia que fala mais ou menos assim "eu bem que te avisei para não levar a serio nosso caso de amor, eu sempre fui sincero e vc sabe muito bem...", esses dias me lembrei dela de novo.

também me lembrei de uma frase que se escuta de vez em quando por aí, que as mulheres tem a tendência a querer mudar os homens, acham que podem melhorar o que não gostam ou o que as incomoda. acho que cheguei a me perguntar se fiz isso com vc, ou se pelo menos tentei. a conclusão é que achei que mudaria tua vontade e não teu jeito... lembrei de outra musica, da bethânia

tá combinado

então tá combinado, é quase nada
é tudo somente sexo e amizade.
não tem nenhum engano nem mistério.
é tudo só brincadeira e verdade.
podemos ver o mundo juntos,
sermos dois e sermos muitos,
nos sabermos sós sem estarmos sós.
abrirmos a cabeça
para que afinal floresça
o mais que humano em nós.
então tá tudo dito e é tão bonito
e eu acredito num claro futuro
de música, ternura e aventura
pro equilibrista em cima do muro.
mas e se o amor pra nós chegar,
de nós, de algum lugar
com todo o seu tenebroso esplendor?
mas e se o amor já está,
se há muito tempo que chegou
e só nos enganou?
então não fale nada, apague a estrada
que seu caminhar já desenhou
porque toda razão, toda palavra
vale nada quando chega o amor...

talvez tenha achado que seria meio isso a mudança, a do curso natural das coisas, da gente...
achei que nos apaixonaríamos loucamente e que todo aquele papo ficaria como uma memória engraçada de um começo que foi bem peculiar, e, na verdade, não vejo mal nenhum nisso, nas grandes expectativas...

no final das contas, meu menino vadio, entre tantos achismos, expectativas e realidades cheguei até onde posso e fiz com todo o prazer e verdade do mundo.

mas eu quero o pacote todo, com toda insanidade que lhe cabe, com todo o romantismo brega, quero ficar grudada como tatuagem, perder a noção da hora, quero ficar imersa naquilo com se fosse a maior verdade do mundo, quero ser olhada, desejada e vivida como numa música do chico, eu quero tudo.

então volto a questão da maldição feminina da tentativa da mudança, não quero te mudar, te acho bem interessante assim, mas acho que tuas vontades não condizem com as minhas, como ponteiros desacertados, ces't la vie...

amo você e te quero um bem enorme,

um beijo,

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

i've never done good things
i've never done bad things
i never did anything out of the blue

Pai,

Ontem falei de você como nunca tinha falado antes, acho que com a dor e com a objetividade que cabe.

É estranho este tipo de conversa, dedos são mais lentos do que a boca, e muito mais do que a cabeça!

Soltamos frases com um caráter tão conclusivo que chegam a ser quase definitivas:

"É difícil conviver com a idéia de que você escolheu não conviver com alguém que fazia parte de você antes mesmo de você existir."

Fez um ano e eu ainda não consegui digerir isso direito...


Sim, eu amo você.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Tenho mania de cartas, foi a maneira que encontrei para externar o que me apertava por dentro. Parte delas nunca enviei e muitas perdi em bares, padarias ou em outro lugar que combinasse papel, caneta e uma dor qualquer.

Falo com pessoas que existem e de situações que mais senti do que vivi, não cito nomes, mas me dou ao direito de usar os apelidos devidos.