segunda-feira, 20 de julho de 2009

Oi meu amor,

Cheguei em casa e estava pensando em vc, fiquei preocupada (e mais preocupada por estar preocupada) com o seu nervosismo de hoje. Acho que quase me senti culpada na verdade, por cultivar algo que te deixe assim, desconfortável.

Acho que tentei hoje te falar o que pensava sobre tudo isso e acredito que de determinada maneira falei, só não tinha me dado conta do que tudo isso estava fazendo comigo, acho que é porque até agora não tinha percebido que a gente era "tudo isso". Sei que este texto deve estar confuso, vou tentar explicar...

Até agora "nós" éramos para mim como um mundo paralelo, algo que pairava imune a qualquer aspecto da vida particular de cada um, como se o que fosse revelado e compartilhado, nos nossos momentos, fizesse parte de uma personagem criada apenas para o outro, claro que cheia de histórias pessoais, mas, de determinada maneira, alheia a elas. Hoje percebi que criamos um carinho que ultrapassa o limite da personagem, que torna o outro a cada momento mais real e isso me da medo.

Te disse um dia que quando sua mulher se tornasse problema meu eu ia embora, na verdade isso só queria dizer que se um dia eu me apaixonasse por vc, ou se vc por mim, eu ia para de te ver. Não acho que eu esteja apaixonada e nem vc (o que nos da mais algumas semanas de crédito), mas me sinto cada dia mais envolvida e não queria que isso se tornasse um problema, nem para mim e nem para você.

Não sei se isso parece uma viagem boba, também não sei se ponderar sobre isso, sobre algo que tem como caráter a própria fugacidade, adianta em alguma coisa....

Para não perder o hábito das citações vou colocar um trecho de livro que eu adoro:

Não existe um meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.

Um beijo,

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fala, Secos & Molhados

Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá. lá, lá, lá
Fala

Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar
Na hora de falar
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá
Fala

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O mundo gira e a lusitana roda!

E depois daquela babaquice toda, sentada no meu bar, com a minha mãe e falando da vida te vejo no reflexo do espelho, juro que podia ser uma cena tim burton, mas era quase tão kitsch quanto um almodóvar.

Parei, olhei, continuei o assunto e olhei de novo, parei de novo, mas dessa vez não voltei. A coluna cede, as mãos param e a voz, claro, cessa. Tremi!

E você sumiu...

Tentei voltar, perdi o fio!?!?!?!!??!

- era ele?
- não, mas o cabelo é igual. (minha mãe)

Safada! Sabia que eu só tinha visto de costas e deixou a dúvida (ela educou o raciocínio).

O assunto não voltou e, na dúvida, passei pelo que não esperava tão cedo. O desconcerto é uma coisa cretina!

Que cagada homérica tudo aquilo ter desandado desse jeito...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Bala com Bala

A sala cala e o jornal prepara quem
Está na sala
Com pipoca e bala e o urubu sai
Voando, manso
O tempo corre e o suor escorre,
Vem alguém de porre
E há um corre-corre, e o mocinho,
Chegando, dando
Eu esqueço sempre nesta hora,
Linda, loura
Minha velha fuga em todo
Impasse
Eu esqueço sempre nesta hora,
Linda, loura
Quanto me custa dar a outra
Face
O tapa estala no balacobaco, e é bala
Com bala
E é fala com fala, e o galã se espalhando,
Dando
No rala-rala, quando acaba a bala, é faca com faca
É rapa com rapa, e eu me realizando,
Bambo
Quando a luz acende é uma tristeza,
Trapo, presa
Minha coragem muda em
Cansaço
Toda fita em série que se preza, dizem,
Reza
Acaba sempre nomelhor
Pedaço

segunda-feira, 6 de abril de 2009

então... que viagem essa, nos dois, quando te disse que já tinha pensado, e eu tinha, mas não que fosse verdade, pensava naquelas imaginárias que ficam, que perduram décadas, que são maiores que na realidade, mais simples e fáceis.

o que me espanta é que ela seja na realidade simples e fácil. Sem essas coisas, receios e imagens.

não me preocupo com nada, não tenho medos ou receios, acho que por causa dessa empatia tão segura, não me importo muito com o que fazer ou como. É só mais natural e fácil...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Rufus,

Entrei no avião já com saudades, não sei porque me acostumei tão rápido com você...

Cheguei em casa e fui direto para o computador para te achar no orkut, coisa de adolescente, de querer fuçar a vida dos outros. Não sabia que você tinha namorada, confesso que fiquei surpresa. Não por achar que tenho muito a ver com isso, afinal foram só 2 ou 3 dias, mas tive uma sensação estranha, como uma pequena perda, acho que é a perda de um futuro imaginário.

Ainda vejo beleza no nosso mundo paralelo e talvez agora entenda um pouco melhor as poucas palavras que você disse.

Escrevi duas coisas sobre nós enquanto estive aí, normalmente não divido minhas viagens particulares, mas gostaria de dividir com você...


11/08

Foi como imaginei que seria, calmo e silencioso, delicado e rude ao mesmo tempo. Acho que falamos 5 palavras apenas, "o que foi?", silencio, " o que você esta pensando", "nada", silêncio.

Alguns sorrisos, meus. Olhares inquietos e curiosos, como quem não sabe o que pensar, seus.

Sei que foi bom, para mim e para você, mas não sei, ou melhor, acho que você não sabia se queria estar lá. Como se tivesse sido conduzido pela minha vontade e pelo seu silencio. Guardei a lâmpada.


14/08

Sim, você queria estar lá!

Você acabou de me deixar no aeroporto, acho que disse o que eu esperava escutar, que de alguma forma aquilo mudou alguma coisa em vc, mudou em mim também.

Sentei agora na cadeira e já sinto saudade, sinto seu cheiro também.


Um beijo,

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"Durante o jantar, achara a senhora de Merret por demais arrumada; dirigindo-se ao clube, ele se dizia que sua mulher não mais sofria, que sua convalescença a embelezara; e se apercebia disso como os maridos se apercebem de tudo, um pouco tarde"...

Outro estudo de mulher / A comédia humana
Honoré de Balzac